A medicalização da vida – porque não se deve tratar sentimentos apenas com remédios?

Não se trata de uma crítica à medicação, mas sim da negligência de como ela tem sido receitada.

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Atualmente, vivemos um grave problema na clínica do sofrimento mental/emocional, em nossa sociedade: a falta de ética na prescrição medicamentosa. É, cada vez mais comum, a promessa de felicidade e soluções rápidas do sofrimento emocional através de uma dosagem exagerada de um ou vários remédios. ⠀

São comuns casos, como por exemplo: quando uma criança é diagnosticada com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), quase que “automaticamente” ela sairá do consultório médico com uma receita de Ritalina; ou do famoso Rivotril, nos casos de depressão/ansiedade. ⠀

Há casos em que a via medicamentosa é muito importante, logo este post não se trata de uma crítica à medicação, mas sim da negligência de como ela tem sido receitada. Além disso, em grande parte dos casos, não há um acompanhamento psicológico(terapia), desconsiderando a causa emocional/mental do sofrimento, e interpretando-o apenas como uma causa biológica ou neural. Dessa forma, não há uma preocupação com a causa da dor e angústia do sujeito, bem como com seu histórico e vivência.

Leia também: TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

A direção de tratamento pela abordagem terapêutica abre espaço para uma investigação da formação desse indivíduo, da constituição de seu laço social e contexto de vida, buscando observar o que o ancora diante da vida. É um método teórico-clínico que está preocupado com um olhar para além da medicalização da vida, estando aberto para uma escuta do inconsciente através da linguagem. Dessa forma, ao invés de sujeitos “embotados” (paralisados) por uma medicação, teremos pessoas que poderão falar de seu sofrimento psíquico latente.

Sendo assim, o processo terapêutico é fundamental na redução de danos da dependência medicamentosa, ou até mesmo para a extinção de sua utilização, nos casos possíveis. A estabilização do sujeito em seu sofrimento mental/emocional está nessa priorização da linguagem e não sobre a medicalização.

Até a próxima. Terapia muda a vida!

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